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Tolerar o profissional de alto desempenho com comportamento tóxico só porque ele entrega número esconde o custo que o resto do time paga em silêncio

Foto: Mario Gogh / Unsplash

Liderança

Tolerar o profissional de alto desempenho com comportamento tóxico só porque ele entrega número esconde o custo que o resto do time paga em silêncio

Pedro Toledo · 13 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

Tolerar o profissional de alto desempenho com comportamento tóxico só porque ele entrega número esconde o custo que o resto do time paga em silêncio — porque o relatório mostra o que a pessoa produz, e não mostra quem saiu, quem parou de opinar e quem passou a esconder erro. Por que o resultado individual parecer compensar tudo, o que caracteriza uma avaliação que inclui o jeito de entregar, e como perceber se a tolerância já está cobrando do time.

Manter no time quem entrega o maior número costuma parecer uma decisão racional. Olhar quem saiu depois de trabalhar com essa pessoa, e quem parou de opinar nas reuniões dela, revela um custo que o relatório de resultado nunca deixaria perceber.

Tolerar o profissional de alto desempenho com comportamento tóxico só porque ele entrega número esconde o custo que o resto do time paga em silêncio — porque o relatório mostra o que a pessoa produz, e não mostra quem saiu, quem parou de opinar e quem passou a esconder erro.

Por que o resultado individual parece compensar tudo

O número é visível, mensurável e atribuído a uma pessoa, enquanto o custo do comportamento tóxico é difuso. Ele aparece como rotatividade, silêncio em reunião e erro escondido, distribuído entre várias pessoas e sem uma linha própria em nenhum relatório, o que faz a conta parecer sempre favorável a quem entrega.

O que caracteriza uma avaliação que inclui o jeito de entregar

Uma avaliação eficaz mede duas dimensões em separado, o que a pessoa entrega e como entrega, com exemplos concretos de comportamento. Isso tem relação direta com adiar a demissão de um funcionário problemático esperando que se resolva sozinho — os dois casos apontam pro mesmo princípio de fundo: o comportamento que o líder tolera é o que o time entende como permitido, seja quando o problema é a falta de desempenho, seja quando é o desempenho alto que cobre a falta de conduta.

O que a pesquisa sobre o assunto mostra

Um estudo de Dylan Minor e Michael Housman analisou mais de 58 mil trabalhadores horistas de serviço em 11 empresas e estimou que trocar um trabalhador tóxico por um comum gera economia maior do que contratar um profissional entre os melhores 1% produz de valor extra. Os números exatos variam conforme a cobertura, e o estudo tratou de funcionários de serviço, não necessariamente de cargos de conhecimento ou liderança — por isso vale tomá-lo como indício, não como regra.

Como perceber se a tolerância já está cobrando do time

A forma prática é observar quem saiu depois de trabalhar com a pessoa, quem parou de levantar objeção nas reuniões dela e quem pede pra não ficar no mesmo projeto. Esses sinais costumam aparecer antes de qualquer queixa formal, e a conversa de saída é um dos poucos lugares em que o custo aparece com nome.

Um exemplo prático

Uma gerente de vendas mantém o melhor vendedor do time, que interrompe os colegas, culpa os outros por perdas e ignora o processo combinado. Dois profissionais bons pedem demissão em seis meses. Ela passa a avaliar entrega e conduta separadamente, conversa com o vendedor sobre três situações concretas e define o que muda. Se ele não mudar, sabe que o preço de mantê-lo já está sendo pago pelo time.

O ponto central

Antes de justificar um comportamento pelo resultado, vale somar o que o resto do time perde por causa dele. Desempenho alto explica uma parte da conta; a outra parte quem paga é quem trabalha ao lado.

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