Foto: Kane Reinholdtsen / Unsplash
Copywriting
Escrever a copy na voz da empresa, cheia de 'nós' e de voz passiva, em vez de falar direto com o leitor, faz o texto parecer sobre quem vende e não sobre quem compra, e o leitor perde o motivo pra continuar lendo
Pedro Toledo · 6 de outubro de 2026 · 3 min de leitura
Escrever a copy na voz da empresa, cheia de 'nós' e de voz passiva, em vez de falar direto com o leitor, faz o texto parecer sobre quem vende e não sobre quem compra, e o leitor perde o motivo pra continuar lendo — porque o texto descreve o que a empresa faz, acredita e oferece, enquanto o leitor está procurando entender o que ele ganha. Por que escrever sobre a própria empresa parece natural, o que caracteriza uma copy centrada em quem lê, e como perceber se o texto atual está falando mais de quem vende do que de quem compra.
Escrever sobre a própria empresa costuma parecer o caminho natural de uma copy. Contar quantas frases do texto começam com "nós" ou com o nome da empresa, e quantas começam com "você", revela um desequilíbrio que a naturalidade do texto nunca deixaria perceber isoladamente.
Escrever a copy na voz da empresa, cheia de "nós" e de voz passiva, em vez de falar direto com o leitor, faz o texto parecer sobre quem vende e não sobre quem compra, e o leitor perde o motivo pra continuar lendo — porque o texto descreve o que a empresa faz, acredita e oferece, enquanto o leitor está procurando entender o que ele ganha.
Por que escrever sobre a própria empresa parece natural
Quem escreve conhece a empresa por dentro e tem mais material sobre ela do que sobre o cliente, e o texto sai naturalmente na primeira pessoa do plural. O autor raramente percebe que, a cada "nós oferecemos", o leitor ficou fora da frase e precisa fazer sozinho a tradução do que aquilo significa pra ele.
O que caracteriza uma copy centrada em quem lê
Uma copy genuinamente eficaz fala diretamente com o leitor na segunda pessoa e descreve o problema e o resultado dele em vez do processo da empresa. Isso tem relação direta com usar jargão interno da empresa na copy pressupor que o cliente já entende o problema do jeito que você entende — os dois casos apontam pro mesmo princípio de fundo: a copy que parte do ponto de vista de quem vende deixa o leitor com o trabalho de traduzi-la, seja pelo vocabulário interno, seja por uma voz que fala da empresa em vez de falar com a pessoa.
Por que voz passiva e linguagem corporativa enfraquecem o texto
A voz passiva torna o texto distante e arrastado, tirando a imediatez da leitura, e quando usada pra falar da empresa soa evasiva. O leitor não sente que está sendo chamado a agir, só que está lendo um comunicado, e a frase "serão disponibilizados acessos" não gera a mesma resposta que "você terá acesso hoje".
Como perceber se o texto fala mais de quem vende do que de quem compra
A forma prática de perceber isso é contar quantas frases do texto começam com o nome da empresa ou com "nós" e quantas começam com "você" ou com o problema do leitor. Se a primeira contagem é bem maior, o texto está centrado em quem vende, e vale reescrever cada frase partindo do que muda pra quem lê.
Um exemplo prático
Uma página de serviços abre com "Somos uma agência com dez anos de experiência e oferecemos soluções completas de marketing". Ao reescrever como "Você recebe um plano de marketing que mostra, mês a mês, de onde vêm seus clientes — conduzido por um time com dez anos de prática", a mesma informação passa a falar do ganho do leitor, e a página retém mais gente além das primeiras linhas.
O ponto central
Antes de publicar uma copy, vale conferir de quem ela está falando. Texto que fala da empresa pede ao leitor que se interesse por quem vende; texto que fala com o leitor mostra por que ele deveria continuar lendo.


