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Demitir um funcionário de baixo desempenho sem confirmar se o problema é dele ou do processo ao redor troca a pessoa e mantém exatamente a mesma causa

Foto: Florian Schmetz / Unsplash

Liderança

Demitir um funcionário de baixo desempenho sem confirmar se o problema é dele ou do processo ao redor troca a pessoa e mantém exatamente a mesma causa

Pedro Toledo · 12 de maio de 2026 · 5 min de leitura

Decidir demitir um funcionário assim que o desempenho dele cai de forma perceptível, sem investigar antes se a causa real está na pessoa ou num processo mal desenhado, liderança sem feedback ou treinamento inexistente ao redor dela, troca quem ocupa o cargo, mas mantém exatamente a mesma condição estrutural que gerou o baixo desempenho em primeiro lugar. Por que baixo desempenho raramente tem uma única causa óbvia, como investigar se o problema é da pessoa ou do sistema antes de demitir, e o risco de repetir o mesmo ciclo com o próximo contratado.

Diante de uma queda perceptível de desempenho de um funcionário, a conclusão mais rápida e intuitiva costuma apontar diretamente pra competência ou pro comprometimento individual da pessoa — ela não está entregando o esperado, e a solução mais direta parece ser substituí-la por alguém mais capaz de sustentar o resultado necessário.

Demitir um funcionário de baixo desempenho sem confirmar se o problema é dele ou do processo ao redor troca a pessoa e mantém exatamente a mesma causa. Se o baixo desempenho tinha origem estrutural — processo mal definido, liderança sem feedback recorrente, treinamento inexistente — a demissão resolve o sintoma imediato, mas deixa intacta exatamente a condição que provavelmente vai gerar o mesmo resultado com quem quer que assuma a posição em seguida.

Por que baixo desempenho raramente tem causa única

Desempenho de qualquer pessoa dentro de uma função é resultado da combinação entre capacidade individual e o ambiente estrutural ao redor dela — processo bem ou mal definido, qualidade e frequência do feedback recebido, adequação do treinamento oferecido, disponibilidade da ferramenta necessária pra executar aquele trabalho de forma eficiente. Um ambiente estrutural deficiente em qualquer uma dessas dimensões pode gerar exatamente o mesmo sintoma visível de baixo desempenho que a falta de competência pessoal geraria, sem que a causa real seja imediatamente distinguível apenas observando o resultado final entregue.

Investigando se o problema é da pessoa ou do sistema

A forma prática de fazer essa distinção antes de decidir pela demissão é revisar honestamente se aquela pessoa específica recebeu feedback claro e recorrente sobre a expectativa esperada, se o processo que ela segue no dia a dia está bem definido e documentado de forma acessível, e se o treinamento e a ferramenta disponíveis são genuinamente adequados pra a função que ela exerce. Se qualquer uma dessas condições básicas não estava presente de forma consistente, existe uma chance real de que o problema não seja exclusivamente individual, mesmo que o sintoma observável — baixo desempenho — pareça apontar diretamente pra pessoa.

O risco de repetir o ciclo com o próximo contratado

Quando a causa raiz do baixo desempenho era estrutural — processo, liderança ou treinamento inadequado — e essa causa não é corrigida antes de uma nova contratação pra a mesma posição, o próximo funcionário tende a enfrentar exatamente a mesma condição ambiental que gerou o problema anterior. Esse padrão, se não identificado e corrigido a tempo, se repete de forma cíclica, gerando queda de resultado e eventual desligamento dentro de um período de tempo semelhante ao anterior, sem que ninguém pare pra investigar por que a mesma posição específica continua produzindo esse mesmo desfecho repetidamente.

Baixo desempenho pode ser genuinamente individual

Reconhecer o risco de causa estrutural não significa que baixo desempenho nunca reflete responsabilidade real e individual da pessoa — existe caso genuíno onde o problema está de fato na competência específica ou na atitude pessoal dela, mesmo diante de processo bem definido, treinamento adequado e liderança presente com feedback recorrente. A questão central não é assumir automaticamente uma direção ou outra, é confirmar essa distinção através de investigação honesta antes de decidir, em vez de simplesmente assumir a causa mais rápida e intuitiva de atribuir sem essa verificação prévia.

O investimento de tempo necessário pra essa investigação

Investigar essa distinção não exige, na maioria dos casos, um processo formal e longo — geralmente uma conversa direta e honesta com a própria pessoa sobre o que ela sente que está dificultando seu desempenho, combinada com uma revisão objetiva do processo e do suporte estrutural oferecido a ela, já revela uma parcela significativa dessa distinção entre causa individual e causa estrutural. Esse investimento relativamente pequeno de tempo pode evitar o custo consideravelmente maior de repetir um ciclo inteiro de contratação e desligamento sem nunca corrigir a causa real do problema. Vale revisar também se parte dessa causa estrutural não vem de um onboarding apressado que nunca cobriu o contexto necessário pra a pessoa performar bem — nesse caso, o baixo desempenho aparente é sintoma de uma integração mal feita, não de falta de competência real.

Um exemplo da causa estrutural passando despercebida

Um funcionário é demitido depois de meses de desempenho consistentemente abaixo do esperado, sem que nenhuma investigação mais profunda tenha sido conduzida sobre o processo que ele seguia diariamente. O próximo contratado pra a mesma posição, meses depois, apresenta exatamente o mesmo padrão de queda de resultado — uma investigação mais cuidadosa, feita apenas nesse segundo momento, revela que o processo daquela função específica nunca tinha sido claramente documentado, exigindo que cada nova pessoa aprendesse por conta própria, de forma inconsistente, o que efetivamente se esperava dela naquele cargo.

O ponto central

Antes de demitir um funcionário com desempenho em queda, vale investigar honestamente se a causa está na pessoa ou nas condições estruturais ao redor dela — processo, treinamento, feedback recebido. Trocar a pessoa sem corrigir uma causa estrutural real apenas adia o mesmo problema pra o próximo ocupante daquela posição, mantendo intacto exatamente o que gerou o baixo desempenho em primeiro lugar.

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